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Chá das cinco

Chá das cinco

16 anos que marcam a minha vida - 11/03/2002

Olá meus amores!

Hoje faz 16 anos que a minha vida mudou completamente e não podia deixar de assinalar esta data tão importante na minha vida e aqui no blog pela primeira vez (apesar de já ter partilhado um vídeo relacionado com este assunto ver aqui).

No dia 11 de Março de 2002 foi o dia em que fui acolhida no melhor Lar de Infância e Juventude da ADCL (Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais), este fica em Guimarães. Neste dia a minha vida mudou completamente, deu uma volta de 360 graus porque eu vinha de uma família disfuncional, onde não fui protegida como devia ser. Renasci, renasci como criança, como pessoa, como menina e futura mulher. Na realidade não fui uma criança e praticamente não tive infância. Mas a minha vida tornou-se mais cor de rosa e muito mais minha, já não tinha que me preocupar tanto em me defender das pessoas e do mundo, pois na minha nova casa tinha pessoas que iam fazer isso por mim e sobretudo iam chorar e rir comigo. Soube que era ter colo, amor, uma mãe que cuida, uma família e um lar... que até aqui era muito raro ter.

Eu quero partilhar com vocês porque que este dia me marcou profundamente e porque é tão importante para mim o recordar. Era uma segunda-feira de manhã, logo a seguir ao casamento de uma prima, a minha mãe teve que me ir entregar na Segurança Social porque num primeiro momento não podia saber onde era a minha casa para preservar a segurança dos outros meninos e até a minha porque éramos muito chegadas e ela podia ir atrás de mim. Foi então que surgiu Sofia e a Gabriela (lembro-me como se fosse hoje com tanta emoção que me dá arrepios), maravilhosas, lindas e com o maior sorriso do mundo (acho que era o sorriso mais sincero que tinha visto na vida). Quando as vi soube logo que ia ter ali alguém para a vida toda (elas são uma inspiração), que ia ter um colo e um ombro para chorar. Isto não acontecia antes a minha mãe fez más escolhas na vida e não estava lá para mim porque trabalhava de noite e então tinha que dormir de dia (mas não a julgo pelo trabalho que tinha mas sim por não ter protegido como devia ser).

Uma coisa que me lembro bem são das prendas que a Sofia me trazia (algumas guardo religiosamente), também me trazia cartas da minha loira e da minha morena e ainda sinto o cheiro a uva na entrada no prédio, o parto de feijoada, encontro com os outros familiares da casa

Neste dia a minha mãe chorava e eu só queria ir embora e perguntava quando isso iria acontecer, pois sabia que ia para um lugar seguro, longe de saber que iria mudar tanto a minha vida e a minha maneira de encarar os problemas.

Posso dizer que sou uma guerreira, uma vencedora que não desisto de nada mas nada mesmo mas isto deve-se sem dúvida alguma  ao trabalho magnífico que cada pessoa faz naquela casa e na maneira que olham para nós, tratam-nós como família e sobretudo como seus próprios filhos fossemos. 

Gostava que todas as pessoas do mundo soubessem que o trabalho que cada pessoa faz naquela casa tem tanto amor e que precisam melhores oportunidades para fazerem mais e mais. Amo cada uma de tal forma que não vivo sem elas, podemos ter as nossas desavenças, mas sei que me vão proteger para sempre.

Há coisas que nunca se esquecem que são os melhores beijinhos e abraços que nos é dado ou da música cantada, que era cantada para me acalmar... mesmo sendo desafinada dava resultado. Das idas as casa das pessoas que lá trabalham, que faziam encher o coração. Das famílias dos funcionários que me acolhiam como se fosse da família e sei que sou da família. Dos banhos dados todas as quarta-feiras pela minha querida Elisabete, tenho tantas saudades destes momentos e suas (a minha Elisabete já partiu e foi das minhas maiores perdas nesta vida e que me custa muito até hoje. Minha querida mãezinha). O Jorge que me ajuda a estudar para chegar mais longe, não é que consegui contribuir para esse feito. Ainda me lembro de todas as pessoas que todos os dias me acompanharam e choram comigo cada momento de felicidade ou de tristeza e festejaram comigo todas as minhas vitórias e conquistas. Obrigada por tudo isto e muito mais. Não me esqueço dos choros depois de um sermão, não me esqueço que me acompanharam na minha missa de finalistas, não me esqueço de cada palavra dita na hora certa, não me esqueço de cada chamada e mensagem para me confortar a alma. São tantos momentos para dizer obrigada por me fazerem crescer e voar.

A minha vida teve muitos dissabores ao longo destes 16 anos, mas deu-me uma grande família que eu amo de coração e nunca quero perder. Aproximou-me de uma prima muito querida, qual tenho uma relação muito próxima e esta foi a única que se manteve junto a mim ao longo destes 16 anos. Da minha família biológica é a única pessoa que tenho grande aproximação o que é muito bom porque as minhas raízes se mantém viva. Deu-me um curso superior que só o consegui porque tive cada uma daquelas pessoas acreditarem em mim. Deu-me amigos que antes não era possível ter devido ao facto da minha mãe mudar constantemente de casa (andei em 6 escolas primárias). Deu-me novas conquistas, deu-me oportunidades, deu-me o mundo e é tão bom poder conquistar o mundo e deixar a minha marca.

Nestes 16 anos criei laços, vinculações, sentimentos que até então não era possível ter porque não havia tempo para sentir ou fazer vinculações. Comecei a sonhar. Os sonhos antes para mim era impossível cumpri-los nem pensava nisso se quer pois não havia possibilidades para tal e muito menos quem me ajuda-se a trabalhar para que tal acontecesse. Mas depois deste dia os meus sonhos começaram a crescer e ganhar vida.

Apesar de todas as circunstancias da vida posso dizer que sou uma pessoa feliz, bem com a vida e muito agradecida com tudo que consegui até hoje.

Gosto tanto de cada um de vocês que o amor enche o meu peito de tal maneira.

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Esta sou eu quando cheguei a minha casa com 12 anos

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Gostaram? Espero que sim.

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Beijinho e marcamos encontro na próxima publicação.

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