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Chá das cinco

Chá das cinco

Educação Social - Debate: "Os Jovens e a Saúde Mental num mundo em mudanças"

Olá meus amores!

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Hoje participei de um debate onde o tema era "Os Jovens e a Saúde Mental num mundo em mudanças", organizado pelo Hospital de Guimarães e pelo Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental (DPSM) que celebra o Dia Mundial da Saúde Mental através do debate aberto à comunidade. Obrigada pelo convite, foi muito gratificante.

Este ano a OMS escolheu este tema «Os Jovens e a Saúde Mental num mundo em mudanças» para análise mundial. Segundo a Diretora do DPSM, Sónia Ramos, «a adolescência e o início da idade adulta são fases de grandes desafios, de desenvolvimento e formação pessoal únicas, nas quais ocorrem variadíssimas mudanças físicas, emocionais e sociais. Para muitos serão épocas de crescimento e amadurecimento salutar e positivo, contudo, para outros, poderão ser tempos de grande complexidade, apreensão e turbulência emocional».

Os problemas de Saúde Mental, segundo os especialistas, começam por volta dos 14 anos, mas nem sempre são diagnosticados por não são tratados. Por vezes como estes quadros não são tratados podem levar a comportamentos de perigo ou risco com o uso de substancias ilícitas, suicídio, gravidez na adolescência. Este tipo de comportamentos podem ter um impacto muito grave no desenvolvimento de cada criança/jovem. E podia ter tido na minha vida se não tivesse sido acolhida pela ADCL na altura certa (era uma jovem em perigo de vida).

Na adolescência factores como a construção da sua maior autonomia, a necessidade de um sentimento de pertença ao grupo de pares, a exploração da identidade sexual, o uso em expansão das novas tecnologias, entre outros, pode contribuir para um aumento da vulnerabilidade à doença mental. Contudo, essa vulnerabilidade aumenta de forma vertiginosa em jovens inseridos em ambientes familiares disfuncionais; vítimas de violência (parental ou bullying); jovens que vivem em condições de precariedade social ou em áreas afectadas por crises humanitárias tais como conflitos armados, desastres naturais e epidemias», refere Sónia Ramos.

Com estas dificuldades todas que encontramos no mundo da adolescência e com as histórias de vida que cada um de nós tem é muito importante trabalhar a resiliência. Já existe alguns programas que ajudam a trabalhar esta capacidade (resiliência) e segundo o que foi dito no debate existe também mecanismos na nossa cidade de Guimarães onde os jovens podem procurar ajuda necessária para poder resolver problemas ou procura solução ou simplesmente para ter alguém para os ouvir.

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Já que fui falar no debate sobre este tema, tinha que o trazer para o blog e para a minha vida pessoal, porque posso dizer com todas as letras eu sou uma pessoa bastante RESILIENTE, quem conhece a minha história de vida (ver aqui) sabe que passei por muito e consegui a dar volta por cima. Aprendi ao longo destes anos a conhecer-me melhor, ver sempre o lado bom das coisas, aprendi a ouvir o que realmente importa, aprendi a ser mais forte que a dor, aprendi que amor é mais importante de qualquer sentimento negativo.

Ser resiliente é saber ser forte sendo amor.

A resiliência já nasce connosco mas esta tem que ser trabalhada, mas na minha opinião, baseada em artigos que li e no debate de hoje as emoções são muito importantes para combateremos os nossos problemas. Hoje em dia as crianças e jovens não sabem identificar as suas emoções e é preciso aprender a trabalhar nisso, seja através de um psicólogo, um psiquiatra ou outros profissionais da área, mas também é importante trabalhar as emoções em casa, nas escolas ou no meio ambiente onde estamos inseridos. Por isso o apoio emocional é importante e deve ser bem vinculado na vida da criança e jovem, porque ninguém vive sem afectos e os afectos são a base para uma vida preenchida e feliz. Todos nós gostamos de nós sentirmos amados e aceites num mundo onde vivemos (compreensão, tolerância, respeito e diálogo dos cuidadores com as crianças e jovens serem importantes).

Na minha vida os afectos e as emoções foram a base de todo para ser quem sou hoje e poder compreender a minha história de vida. Posso dizer que sem as pessoas que me acolheram há 16 anos atrás não era possível fazer um caminho cheio de conquistas, de acertos mas sobretudo de compreensão com o meu passado.

Por falar em compreensão com o passado, outro factor importante para combater os problemas que temos na nossa vida é as praticas disciplinares o cuidado, a atenção e a orientação dos cuidadores para com os acontecimentos da vida das crianças e jovens. No meu caso e mais uma vez as pessoas que cuidaram de mim tem um papel fundamental na minha vida, elas conseguiram orientar-me  no caminho certo para encontrar o meu rumo, o meu lugar no mundo, através de actividades em conjunto como actividades que possibilitam o dialogo, a aproximação entre os membros, a união, a solidariedade, os afectos, o conhecimento (exemplo, assistir a televisão juntos, viajar, visitar parentes, etc). Este tipo de actividades vai aproximar as pessoas e criar relações de qualidade que vão ficar para vida toda, que serão as nossas referências, que serão as pessoas mais importantes das nossas vidas. Isto foi referido durante o debate a importância de criarmos referências ao longo da nossa vida para termos exemplos sejam eles negativos ou positivos como ultrapassar determinada situação, obstáculo ou simplesmente teremos alguém para conversar.

Por último e não menos importante, que para mim sustente estes últimos factores que falei é uma forte presença de rede de apoio. Se não tivermos a nossa volta uma forte rede de apoio, não conseguimos sozinhos dar a volta por cima aos problemas que vamos encontrado pelo caminho por mais fortes que sejamos psicologicamente. isto porque a certo momento o nosso cérebro irá entrar em confusão, vamos perdermos no meio da batalha que travamos, é preciso alguém que nos faça olhar para frente. Eu tenho desde os meus 12 anos, quando fui institucionalizada uma forte rede de apoio que trago sempre comigo, são os meus pilares, a minha família não biológica mas aquela que levo para vida. E um exemplo pratico desta rede de apoio, quando me encontrava em situação de tristeza com a minha mãe porque ela me prometia tudo e mais alguma coisa, ficava sempre com dores de barriga e a Gabriela (mãe do coração e directora técnica do LIJ) cantava-me sempre uma música mesmo que desafinada era o que me acalmava naquele momento e ela sabia preferentemente que na realidade não me doía a barriga só estava triste, ela sabia como me ajudar entrar nos eixos.

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Sabemos que a resiliência é um processo psicológico que vai se desenvolvendo ao longo da vida e que nasce connosco mas tem que ser trabalhada, a partir dos factores de risco X factores de protecção.

Para Trombeta e Guzzo (2002), trata-se de uma balança equilibrada: de um lado, os eventos estressantes, as ameaças, os perigos, o sofrimento e as condições adversas que levam à vulnerabilidade; e do outro, as forças, as competências, o sucesso e a capacidade de reacção e enfrentamento, que fazem parte do indivíduo, que pode ser chamado de invulnerável ou resiliente. 

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Temos que encarar cada momento ou fase da nossa vida com uma aprendizagem, uma experiência que nos vai fortalecer e nos preparar para o futuro, para situações menos boa. Eu fui arranjado algumas estratégias para dar a volta a minha história de vida como escrever em diários, ter actividades extra-curriculares, aplicar-me na escola, fazer parte dos escuteiro, fui trabalhando a minha auto-estima, fui vendo toda a minha história de vida como um desafio para me tornar uma pessoa melhor e marcar a diferença neste mundo, fui trançando objectivos e metas na minha vida, fui me tornado uma pessoa independente, com autonomia. Estas estratégias e juntamente com a minha rede de apoio ajudaram-me a tornar uma pessoa emocionalmente estável e encontrar o meu rumo. 

O meu passado não posso mudar, faz parte mas posso sem dúvida alguma mudar o meu presente e futuro pois são a única pessoa responsável pela minha vida . Encontrei em cada adversidade da vida uma forma de ganhar mais uma batalha, de aprender com cada situação e isso que eu levo de mais importante na minha bagagem de vida, é o que me ajuda a ser ainda mais feliz, 

Esta foi uma questão importante do debate e esta muito relacionado com a resiliência: que te faz feliz? Eu sou feliz com tudo que conquistei, com as pessoas que me rodeiam, com o meu batalho, com as pequenas conquistas diárias, com os pequenos momentos do dia-a-dia. E a ti que te faz feliz?

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Não podia deixar de salientar que em situação de maior stress, de precisarmos de ajuda é importante procuramos ajuda especializada. O estigma que existe em ir ao psicólogo ou psiquiatra tem que acabar, o cérebro é um órgão como outro qualquer que de vez enquanto precisa de um check up, precisa de ajuda para ficar saudável.

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O meu mundo! Coisas boas acontecem...

O que te faz feliz?

És resiliente?

Já procuraste ajuda de algum especialista?

Subscrevam o blogue e comentem.

Beijinho e marcamos encontro na próxima publicação.

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